A Força Aérea Indiana (IAF) prepara uma retomada da produção licenciada do caça de combate russo Su-30MKI, parte de um programa industrial que havia sido iniciado há cerca de 25 anos com a fabricante nacional Hindustan Aeronautics Limited (HAL).
A nova encomenda de aeronaves prevê a entrega de 12 unidades do Su-30MKI, com as primeiras entregas esperadas para o ano fiscal de 2027/28 e conclusão do lote até 2029.
Nova Délhi também tenta desenvolver uma nova geração de aeronaves de combate como parte do Advanced Medium Combat Aircraft (AMCA), projeto nacional de caças de quinta geração, e avalia a possibilidade de produção local do russo Su-57E.
O Su-30MKI nasceu de uma adaptação indiana da família Su-30 desenvolvida pela União Soviética e, depois, pela Rússia, que passou a comercializá-la à Índia no fim da década de 1990.
Os países também assinaram em conjunto um acordo de transferência tecnológica para permitir a produção local do caça pela HAL. 50 aeronaves foram fornecidas pela Rússia já em condição de voo, e outras 222 foram produzidas sob licença pela fabricante indiana.
Além da fabricação, a unidade de Nashik desenvolveu capacidade de reparo e revisão geral dos Su-30MKI. A empresa afirmou já ter entregue mais de 130 aeronaves após trabalhos de revisão e ter atingido capacidade máxima de 20 aeronaves submetidas a esse processo por ano.
Para o novo contrato, entretanto, o governo indiano informou oficialmente um índice de 62,6% de conteúdo nacional, porcentagem que deve ser alcançada com a incorporação de componentes fabricados pela indústria de defesa indiana.
A lógica é utilizar plataformas originalmente estrangeiras para desenvolver competências domésticas em áreas que vão desde usinagem e estruturas aeronáuticas até aviônicos, computadores de missão, guerra eletrônica e integração de armas.
A Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa da Índia (DRDO) já desenvolve computadores de aviônicos e sistemas de missão para diferentes aeronaves, incluindo o Su-30MKI.
Em setembro de 2024, o Ministério da Defesa indiano assinou com a HAL um contrato de mais de 26 mil crore de rúpias (cerca de 260 bilhões de reais) para a fabricação de 240 motores AL-31FP, destinados aos Su-30MKI. Eles devem ser produzidos pela divisão Koraput da HAL, com previsão contratual de fornecimento de 30 motores por ano.
O Su-30MKI indiano pode integrar armamentos que não fazem parte da configuração original russa, adaptado, por exemplo, para o transporte do míssil de cruzeiro BrahMos, um sistema supersônico desenvolvido em conjunto pela Índia e pela Rússia por meio da joint venture BrahMos Aerospace.
Agora, a Rússia vem tentando convencer a Índia a participar também da produção do Su-57E, nova versão de exportação de seu caça de quinta geração. Segundo as declarações russas, a proposta poderia utilizar justamente a infraestrutura associada à produção do Su-30MKI para uma possível produção conjunta do novo caça, projetado para o mercado internacional e otimizado para receber um pacote atualizado de mísseis avançados.
Moscou estaria disposto inclusive a compartilhar o código-fonte do Su-57E, o que garantiria uma transferência tecnológica aprofundada caso a Índia escolhesse o avião.
O país, no entanto, já mantém tratativas com o governo da França para desenvolver, sob o programa francês Future Combat Air System (FCAS), uma nova geração de sistemas de combate aéreo para a aviação militar de sexta geração.
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