China chega a 100 estatais centrais com criação de gigante estratégica para o setor de dados

China chega a 100 estatais centrais com criação de gigante estratégica para o setor de dados

  • 20 de outubro de 2026
  • Mundo
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A China inaugurou nesta terça-feira (20) a China National Data Group Co., Ltd., uma nova empresa estatal diretamente subordinada ao governo central, com a missão de desenvolver e aproveitar recursos de dados.

A cerimônia de criação foi realizada em Xiongan, na província de Hebei, no norte do país. Com a incorporação da companhia, o número de empresas estatais sob supervisão direta do governo central chega a 100, segundo informações divulgadas pelas autoridades chinesas.

A criação da estatal tem como objetivos promover o aproveitamento dos recursos de dados, ampliar seu valor econômico, apoiar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e fortalecer o ecossistema da indústria de dados.

A empresa terá sede em Xiongan e deverá atuar na articulação entre diferentes setores e níveis de governo para compartilhar capacidades, experiências e oportunidades de negócios, de acordo com a agência estatal Xinhua.

Dados como recurso estratégico para a China

A criação da China National Data Group ocorre em um momento no qual os dados ganham importância crescente para o desenvolvimento de tecnologias digitais, especialmente sistemas de inteligência artificial.

O treinamento e a operação desses sistemas dependem de grandes volumes de informações, enquanto sua aplicação em setores produtivos exige infraestrutura para organizar, processar e compartilhar dados.

Nesse contexto, transformar informações em um recurso economicamente aproveitável tornou-se uma frente de desenvolvimento tecnológico. Dados provenientes de atividades industriais, transportes, serviços financeiros, pesquisa científica e administração pública podem contribuir para sistemas de análise, automação e tomada de decisões, desde que seu uso respeite as regras aplicáveis de segurança e proteção de informações.

A nova estatal foi apresentada como uma estrutura nacional para impulsionar esse setor. Entre as atribuições anunciadas estão o desenvolvimento e a utilização de recursos de dados, a promoção da inovação científica e tecnológica e o fortalecimento da conexão entre infraestruturas de dados.

A iniciativa também pretende favorecer a cooperação entre órgãos públicos e empresas, permitindo o compartilhamento de capacidades e experiências e a ampliação das atividades econômicas ligadas aos dados. O anúncio oficial, entretanto, ainda não detalha quais projetos serão executados inicialmente, os investimentos previstos ou as metas quantitativas da companhia.

Por que Xiongan foi escolhida como sede?

A nova empresa terá sede em Xiongan, área de desenvolvimento criada em 2017 na província de Hebei, a aproximadamente 100 quilômetros a sudoeste de Pequim. A região integra o planejamento chinês para reorganizar funções econômicas e administrativas da capital e estimular a formação de um novo polo urbano e tecnológico.

O projeto de Xiongan prevê a construção de uma cidade inteligente, com infraestrutura digital integrada e desenvolvimento de setores de alta tecnologia.

Os planos oficiais para a região incluem áreas como inteligência artificial, segurança da informação, computação avançada e outros segmentos tecnológicos.

A instalação da China National Data Group nesse território está alinhada a essa estratégia de desenvolvimento. A presença de uma estatal dedicada aos dados pode ampliar a articulação entre infraestrutura digital, inovação tecnológica e atividade econômica na região.

A escolha também coloca a companhia em um espaço concebido para receber instituições, empresas e atividades que contribuam para o desenvolvimento de novas capacidades produtivas fora do núcleo central de Pequim.

Uma nova frente da economia digital chinesa

A criação da empresa sinaliza que o governo chinês considera a organização e o aproveitamento dos dados uma área estratégica para o desenvolvimento tecnológico, especialmente tendo em vista o poder cada vez maior da área de TI na economia chinesa.

Além de apoiar aplicações de inteligência artificial, a estrutura poderá contribuir para ampliar a integração entre diferentes participantes da economia digital.

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Redação CBM Brasília
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