Damasco, na Síria, Trípoli, na Líbia, e Daca, em Bangladesh, são as cidades que ocupam as piores posições do ranking mundial de qualidade de vida de 2026, elaborado pela Economist Intelligence Unit (EIU), braço de pesquisa e análise do grupo que publica a revista The Economist.
A edição de 2026 aponta que o Oriente Médio e o Norte da África concentraram as maiores perdas de posições na classificação. Antes, as quedas nos indicadores de estabilidade estavam mais associadas à guerra na Ucrânia e a episódios de terrorismo e protestos na Europa; mas, este ano, os efeitos da guerra envolvendo o Irã passaram a pesar de maneira mais intensa sobre a região.
A classificação avalia 173 cidades do mundo com base em indicadores divididos em cinco categorias principais: estabilidade, saúde, cultura e meio ambiente, educação e infraestrutura. De acordo com a edição de 2026 do índice, conflitos armados, pobreza, insegurança e deficiências nos serviços essenciais continuam entre os principais fatores associados às piores condições de vida urbana.
Damasco aparece na 173ª posição, com 31,6 pontos em uma escala de 100. Trípoli ocupa o 172º lugar, com 40,9 pontos, e Daca fica em 171º, com 41,7. O grupo das dez cidades com pior desempenho inclui ainda Karachi, no Paquistão; Argel, na Argélia; Lagos, na Nigéria; Porto Moresby, em Papua-Nova Guiné; Kiev, na Ucrânia; Harare, no Zimbábue; e Teerã, no Irã.
O levantamento, realizado em maio, destaca a deterioração das condições de estabilidade no Oriente Médio, em meio à guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, e a permanência de cidades afetadas por conflitos prolongados nas piores posições do índice como efeito de crises políticas e humanitárias sobre a vida cotidiana.
| Posição | Cidade | País ou território | Pontuação |
|---|---|---|---|
| 173º | Damasco | Síria | 31,6 |
| 172º | Trípoli | Líbia | 40,9 |
| 171º | Daca | Bangladesh | 41,7 |
| 170º | Karachi | Paquistão | 42,7 |
| 169º | Argel | Argélia | 42,8 |
| 168º | Lagos | Nigéria | 43,5 |
| 167º | Porto Moresby | Papua-Nova Guiné | 44,1 |
| 166º | Kiev | Ucrânia | 44,5 |
| 165º | Harare | Zimbábue | 44,7 |
| 164º | Teerã | Irã | 45,3 |
A distância entre Damasco e as demais cidades do grupo chama a atenção. Com 31,6 pontos, a capital síria está abaixo do patamar de 40 pontos que a metodologia da EIU associa à faixa de condições intoleráveis e permanece na última colocação do índice, posição que ocupa desde 2013.
A cidade continua enfrentando as consequências de uma guerra civil que começou em 2011 e provocou destruição de moradias, deslocamentos populacionais e danos à infraestrutura e aos serviços públicos.
O Ministério de Obras Públicas e Habitação da Síria e sindicatos de engenharia lançaram, em maio de 2026, o Sistema Nacional de Avaliação de Danos a Prédios, que reúne dados de levantamentos por satélite sobre os danos causados pela guerra na região. Foram mais de 24 mil estruturas afetadas apenas nos distritos a leste da capital, e cerca de 40% a 50% dos imóveis estão completamente destruídos ou gravemente danificados.
Entre 2025 e 2026, Israel intensificou bombardeios de precisão na capital contra alvos estratégicos remanescentes na cidade, incluindo a sede do Ministério da Defesa.
Trípoli, por sua vez, permanece próxima desse limite, enquanto as outras oito cidades têm pontuações superiores a 41 pontos.
Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a Síria têm documentado os efeitos prolongados do conflito sobre o sistema de saúde, incluindo danos a instalações, dificuldades de abastecimento e barreiras ao acesso aos serviços.
Na 172ª posição, Trípoli é a segunda cidade com pior desempenho no levantamento; a capital líbia marcou só 40,9 pontos e continua afetada pelas consequências de anos de conflito político e armado após a queda de Muammar Kadafi, em 2011.
Já a capital iraniana, Teerã, aparece em 164º lugar, com 45,3 pontos, e é uma das novidades entre as dez cidades com pior avaliação devido à guerra iniciada em fevereiro de 2026, que ampliou os riscos de segurança e agravou a instabilidade regional.
O conflito começou em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Teerã já enfrentava problemas estruturais antes da escalada militar, entre eles a poluição atmosférica, os congestionamentos e a pressão sobre a infraestrutura.
Kiev, capital da Ucrânia, ocupa a 166ª posição, com 44,5 pontos, marcada pela guerra contra a Rússia e os ataques a instalações e redes de energia, deslocamentos populacionais e interrupções de serviços.
Quatro cidades africanas também compõem o ranking: a capital do Zimbábue, Harare, está entre as dez cidades com pior avaliação. A cidade enfrenta dificuldades relacionadas à prestação de serviços públicos, ao abastecimento de água e à infraestrutura urbana, além de limitações no financiamento dos serviços municipais.
Há também a capital de Papua-Nova Guiné, Porto Moresby, situada em um país insular do Pacífico que enfrenta desafios de segurança, desigualdade no acesso a serviços e deficiências de infraestrutura. Lagos, na Nigéria, a maior metrópole do país, também figura na lista, em um contexto de rápida urbanização que pressiona os sistemas de transporte e o saneamento básico.
Na Argélia, a capital, Argel, está entre as cidades com menor pontuação do índice, com 42,8 pontos.
A capital de Bangladesh, Daca, e a maior cidade do Paquistão, Karachi, ficam com as posições 171 e 170 do ranking, respectivamente. Ambas enfrentam desafios relacionados à elevada densidade populacional, à poluição e à gestão de resíduos, transportes e saneamento, em meio à pressão sobre a infraestrutura e os serviços urbanos.
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