O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltam a se encontrar nesta semana, seis meses depois da visita de Estado do líder norte-americano a Beijing.
Xi viajará aos Estados Unidos entre 23 e 25 de setembro, a convite de Trump, em um novo capítulo da tentativa de estabilizar as relações entre as duas maiores economias do mundo.
A visita ocorre após uma série de contatos de alto nível entre os dois governos e em um momento no qual comércio, tecnologia, segurança e questões geopolíticas continuam produzindo divergências entre Washington e Beijing.
Ao mesmo tempo, os dois países vêm ampliando os canais de diálogo para evitar que os conflitos se transformem em uma ruptura mais ampla.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, Xi Jinping terá uma troca de opiniões aprofundada com Trump sobre as relações bilaterais e questões relacionadas à paz e ao desenvolvimento mundial.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Guo Jiakun afirmou que a diplomacia de chefes de Estado possui um papel insubstituível na orientação estratégica das relações entre China e Estados Unidos. Segundo ele, o fato de os dois presidentes realizarem visitas de Estado recíprocas em um intervalo de apenas seis meses representa um marco de importância histórica.
O reencontro acontece seis meses depois da visita de Trump à China, realizada entre 13 e 15 de maio. Na ocasião, o presidente norte-americano foi recebido em Beijing por Xi Jinping em uma cerimônia de Estado no Grande Salão do Povo.
Presidente Xi Jinping e Donald Trump em encontro no mês de maio (Photo by Evan Vucci / POOL / AFP)
O encontro teve como um dos principais objetivos reduzir as tensões acumuladas nos anos anteriores e estabelecer parâmetros para a relação entre os dois países. Comércio, investimentos, energia, tecnologia e segurança internacional estiveram entre os temas discutidos.
Na reunião, Xi Jinping afirmou que China e Estados Unidos deveriam trabalhar para construir uma relação bilateral construtiva e estável, evitando que as diferenças entre os dois países levassem a uma confrontação.
O presidente chinês também apresentou três questões centrais para o futuro da relação. Uma delas dizia respeito à capacidade de Beijing e Washington de evitar a chamada Armadilha de Tucídides, conceito utilizado para descrever o risco de conflito entre uma potência estabelecida e uma potência emergente.
Xi também questionou se os dois países seriam capazes de enfrentar conjuntamente desafios globais e contribuir para a estabilidade internacional, além de construir um futuro positivo para as relações bilaterais em benefício de suas populações.
Na área econômica, o líder chinês destacou a existência de interesses mútuos nas relações comerciais e afirmou que o diálogo em condições de igualdade deveria ser utilizado para administrar divergências.
Trump adotou um tom igualmente conciliador durante sua passagem por Beijing. Ao lado de Xi, o presidente norte-americano classificou a reunião como “excelente” e afirmou que os dois países poderiam construir um “futuro fantástico” em conjunto.
O presidente dos Estados Unidos também destacou a importância da relação pessoal estabelecida com Xi Jinping e afirmou que Washington e Beijing poderiam cooperar em áreas como comércio, energia e segurança internacional.
A dimensão econômica teve grande peso durante a visita. Trump chegou à China acompanhado por representantes de grandes empresas norte-americanas, em uma demonstração do interesse de Washington em ampliar oportunidades comerciais e de investimento.
Entre os empresários que participaram da comitiva estavam nomes como Tim Cook, da Apple, Jensen Huang, da Nvidia, Larry Fink, da BlackRock, e Elon Musk, da Tesla.
As conversas envolveram a ampliação do acesso de empresas norte-americanas ao mercado chinês, investimentos chineses nos Estados Unidos e questões relacionadas ao comércio bilateral.
Apesar do tom de aproximação, o encontro de maio também deixou claro que existem questões consideradas fundamentais por Beijing que permanecem fora de qualquer tentativa de negociação.
Entre elas está Taiwan. Durante a reunião, Xi Jinping afirmou que a questão de Taiwan é a mais sensível nas relações entre China e Estados Unidos e defendeu que a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan são interesses comuns das duas potências.
Para Beijing, qualquer apoio à independência formal de Taiwan representa uma interferência em assuntos internos chineses. Washington, por sua vez, reconhece diplomaticamente a República Popular da China, mas mantém relações não oficiais com Taiwan e continua fornecendo equipamentos militares à ilha.
A questão voltou a aparecer nos contatos diplomáticos entre os dois países nos meses seguintes. Em conversa recente com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, voltou a destacar Taiwan como uma questão central para a relação bilateral.
Washington e Beijing tem avançado na criação de um diálogo bilateral sobre segurança de IA, incluindo a possibilidade de uma linha direta para comunicação em caso de incidentes envolvendo sistemas de inteligência artificial.
Entre os temas que devem ser discutidos estão sistemas autônomos potencialmente fora de controle, ataques cibernéticos realizados por agentes de IA e outros riscos considerados relevantes para a segurança nacional.
A questão tem sido debatida diretamente por He Lifeng, vice-primeiro-ministro da China, e Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.
Lifeng já está nos Estados Unidos para consultas econômicas e comerciais com a parte norte-americana ne, segundo a CGTN.
A nova visita de Xi acontece em um cenário no qual a competição entre China e Estados Unidos não desapareceu. Comércio, semicondutores, inteligência artificial, cadeias industriais e questões de segurança continuam sendo áreas de disputa.
Ao mesmo tempo, os dois governos mantiveram abertos canais diplomáticos e econômicos para administrar essas diferenças.
Para Xin Qiang, vice-diretor do Centro de Estudos Americanos da Universidade Fudan, a visita de Xi é importante justamente porque dá continuidade ao processo de diálogo iniciado com a viagem de Trump a Beijing.
O especialista afirmou ao Global Times que o encontro demonstra disposição dos dois lados de manter a estabilidade da relação apesar das diferenças existentes.
O encontro de setembro não elimina as divergências entre China e Estados Unidos. A questão central é como os dois governos irão administrar essas diferenças enquanto procuram preservar áreas de cooperação.
Na economia, os dois lados têm interesse em manter canais de comércio e investimento. Na tecnologia, porém, a disputa por inteligência artificial, semicondutores e outras tecnologias avançadas continua sendo um dos principais pontos de tensão.
O cenário internacional também amplia a importância do diálogo entre as duas potências. Questões como a guerra na Ucrânia, a situação no Oriente Médio, a Península Coreana e a estabilidade das cadeias globais de energia estão entre os temas que podem aparecer nas conversas entre Xi e Trump.
Por isso, o intervalo de apenas seis meses entre as visitas dos dois presidentes possui um significado que vai além do calendário diplomático.
O movimento indica a manutenção de um canal direto entre os líderes das duas maiores economias do mundo em um período marcado simultaneamente por competição estratégica e busca por estabilidade.
Para Beijing, a prioridade declarada é construir uma relação considerada construtiva e de estabilidade estratégica, fortalecer o diálogo e administrar adequadamente as divergências. Para Washington, a relação com a China envolve interesses econômicos, tecnológicos e estratégicos que também exigem canais permanentes de negociação.
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