Quem foi Sun Yat-sen? Conheça a história e biografia do pai da China Moderna

Quem foi Sun Yat-sen? Conheça a história e biografia do pai da China Moderna

  • 22 de setembro de 2026
  • Mundo
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Sun Yat-sen é considerado um dos principais fundadores da China moderna e uma figura cuja influência atravessou a Revolução de 1911, a fundação da república e, posteriormente, a própria construção política da China sob o Partido Comunista da China (PCCh). Embora não tenha sido comunista, sua defesa da derrubada da monarquia Qing e de uma transformação profunda da sociedade chinesa fez dele uma referência histórica também para os comunistas.

Quem foi Sun Yat-sen?

Sun Yat-sen na praça Tiananmen

Homenagem a Sun Yat-sen na Praça da Paz Celestial (Foto: Commons)

Sun Yat-sen (1866-1925) nasceu em Guangdong e se tornou um dos principais articuladores da oposição à dinastia Qing, que governava a China desde o século XVII. Médico de formação, passou décadas defendendo a necessidade de derrubar a monarquia e estabelecer uma república.

Em 1911, uma série de revoltas culminou na Revolução Xinhai, que derrubou a dinastia Qing. Sun Yat-sen foi escolhido como presidente provisório da nova república em janeiro de 1912, embora tenha permanecido pouco tempo no cargo.

Seu projeto político ficou associado aos Três Princípios do Povo: nacionalismo, democracia e bem-estar do povo. A proposta buscava construir uma China soberana, politicamente moderna e capaz de superar décadas de intervenção e pressão das potências estrangeiras.

O que foi a Revolução Xinhai

A Revolução Xinhai foi o movimento revolucionário que derrubou a dinastia Qing e encerrou mais de dois mil anos de governo imperial na China. Iniciada em 1911, a revolução levou à formação da República da China e abriu uma nova etapa da história do país. Entre seus principais líderes estava Sun Yat-sen, que defendia a construção de uma China republicana, nacionalmente unificada e capaz de recuperar sua soberania diante das potências estrangeiras.

No início do século XX, a China atravessava uma profunda crise política, econômica e social. A dinastia Qing, de origem manchu, enfrentava forte oposição interna e havia perdido parte de sua autoridade após décadas de derrotas militares e concessões feitas a potências estrangeiras.

As Guerras do Ópio, a derrota diante do Japão na guerra de 1894-1895 e a crescente presença de países europeus em território chinês alimentaram um sentimento nacionalista entre setores da população. Tratados considerados desiguais concederam privilégios comerciais e jurídicos a estrangeiros e reduziram a capacidade do governo Qing de exercer plena soberania sobre o país.

Ao mesmo tempo, grupos revolucionários passaram a defender a substituição da monarquia por uma república. Sun Yat-sen tornou-se uma das principais figuras desse movimento e, em 1905, participou da criação da Aliança Revolucionária Chinesa, organização que defendia a derrubada da dinastia Qing.

O estopim da Revolução Xinhai ocorreu em 10 de outubro de 1911, quando soldados se rebelaram em Wuchang, na atual cidade de Wuhan. O levante ficou conhecido como Revolta de Wuchang e rapidamente se espalhou.

Províncias começaram a declarar independência em relação ao governo Qing. A revolta ganhou força entre militares, estudantes, intelectuais e setores da elite local que defendiam reformas políticas e maior autonomia provincial.

Sun Yat-sen estava fora da China quando a revolução começou. Ele retornou ao país posteriormente e, em janeiro de 1912, foi escolhido como presidente provisório da nova república.

A revolução estava associada às ideias de Sun Yat-sen, especialmente aos chamados Três Princípios do Povo: nacionalismo, democracia e bem-estar do povo.

O nacionalismo defendia a construção de uma China soberana e unificada; a democracia propunha a substituição da monarquia por um sistema republicano; e o bem-estar do povo apontava para reformas sociais e econômicas capazes de melhorar as condições da população.

A Revolução Xinhai, contudo, não resolveu os problemas estruturais da China. O novo Estado enfrentou disputas entre grupos militares, fragmentação política e conflitos entre diferentes projetos para o futuro do país.

Mesmo assim, seu significado histórico foi enorme. A revolução encerrou o sistema imperial e estabeleceu a república como novo modelo político. Para o Partido Comunista da China (PCCh), décadas depois, a Revolução Xinhai também passou a ser interpretada como uma etapa inicial da longa transformação que levaria à China moderna.

Por que o PCCh considera Sun Yat-sen importante?

A relação entre Sun Yat-sen e o PCCh é particularmente importante porque existe uma continuidade histórica reivindicada pelos comunistas, apesar das diferenças ideológicas entre o revolucionário republicano e o marxismo.

Ainda assim, Sun defendia objetivos que também se tornariam centrais no discurso revolucionário chinês: unidade nacional, soberania, independência diante das potências estrangeiras e transformação social.

Mao Zedong reconhecia essa dimensão. Em textos e discursos, Sun Yat-sen aparece como uma importante figura da revolução democrática chinesa.

“Prestemos homenagem ao nosso grande precursor revolucionário, o Dr. Sun Yat-sen! Prestamos-lhe homenagem pela intensa luta que travou, no período preparatório da nossa revolução democrática, contra os reformistas chineses, assumindo a posição clara de um democrata revolucionário chinês. Nessa luta, ele foi o porta-estandarte dos democratas revolucionários da China. Prestamos-lhe homenagem pela contribuição notável que deu durante a Revolução de 1911, quando liderou o povo na derrubada da monarquia e na fundação da república. Ele nos legou um vasto patrimônio útil no campo do pensamento político”, afirma Mao Zedong em discurso no aniversário de 90 anos de Yat-sen, no ano de 1956, sete anos depois do fim da guerra civil e da fundação da República Popular da China.

“Concluímos a revolução democrática deixada inacabada pelo Dr. Sun Yat-sen e a transformamos em uma revolução socialista. Encontramo-nos agora no curso dessa revolução”, continuou o presidente.

Para o PCCh, a Revolução de 1911 foi uma etapa da longa luta pela transformação da China, enquanto a revolução de 1949 representaria uma etapa posterior desse processo.

Sun Yat-sen na China de Mao

Depois da fundação da República Popular da China, em 1949, o PCCh incorporou Sun Yat-sen ao seu panteão histórico da revolução chinesa.

Isso tinha uma lógica política e histórica. O novo governo não apresentava 1949 como um acontecimento isolado, mas como o resultado de décadas de luta contra a monarquia, o imperialismo, a fragmentação política e a dominação estrangeira.

Sun foi, portanto, um precursor da revolução chinesa, ainda que sua concepção política fosse diferente da do marxismo-leninismo.

O legado de Sun na China contemporânea

A influência de Sun Yat-sen permanece visível na China continental. Seu nome aparece em universidades, hospitais, parques, ruas e monumentos.

Seu famoso terno, inclusive, já foi usado por Mao Zedong, Deng Xiaoping e Xi Jinping, sendo um símbolo da nova China.

O Mausoléu de Sun Yat-sen, em Nanjing, é um dos principais locais históricos associados à Revolução de 1911.

Sun é lembrado como alguém que ajudou a abrir o caminho para a transformação da China de um império para um Estado republicano moderno.

A construção da China contemporânea resultou de várias gerações de revolucionários, e não começou simplesmente em 1949.

“O Dr. Sun Yat-sen é um grande herói nacional, um grande patriota e um grande pioneiro da revolução democrática da China. Ele dedicou sua vida à revolução, aspirou salvar o país e o povo e prestou contribuições notáveis ​​à nação chinesa, as quais ficaram registradas para a posteridade”, afirma Xi Jinping, presidente da China e secretário-geral do Partido Comunista da China.

“Dr. Sun lamentava a pobreza e a fraqueza da China naquela época e foi o primeiro a lançar apelos contundentes pela “revitalização da China”. Ele acreditava que “a construção é o único objetivo da revolução”, explica Xi.

“Hoje, podemos assegurar ao Dr. Sun que estamos mais próximos do que nunca da grande revitalização da nação chinesa e que estamos mais confiantes e capazes do que em qualquer outro momento da história para alcançar esse objetivo”, completou, em discurso de outubro de 2021, celebrando os 150 anos de Yatsen.

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Redação CBM Brasília
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