Há 26 anos, o professor americano Robert Sakolsky viajou até a região da Mongólia Interior, no norte da China, em uma jornada que o levaria até uma das áreas mais áridas do país. Seu objetivo era conhecer Yin Yuzhen, uma mulher que havia decidido enfrentar o avanço do deserto com uma estratégia aparentemente simples: plantar árvores.
Ao encontrá-la, Sakolsky ficou impressionado — e também cético. Depois de horas de viagem de trem e caminhão, ele viu Yin sair de uma área de areia carregando uma criança. Ao redor dela, havia apenas algumas mudas frágeis. A história foi contada originalmente no Global Times.
“Isso é impossível”, pensou o americano ao observar as pequenas árvores.
Mesmo assim, decidiu ajudar. Sakolsky doou US$ 5 mil para que Yin pudesse comprar mais mudas e continuar seu trabalho de combate à desertificação.
O que ele não poderia imaginar é que voltaria ao mesmo lugar 26 anos depois e encontraria uma paisagem completamente diferente.
Em agosto de 2026, Sakolsky retornou ao deserto de Mu Us, na região de Ordos, e reencontrou Yin Yuzhen. No local onde antes havia dunas e pequenas mudas, encontrou uma extensa área verde.
Entre as árvores está a chamada “Sakolsky Forest”, uma área que reúne mais de 50 mil árvores adultas, originadas das mudas adquiridas com a ajuda financeira feita pelo professor americano décadas atrás.
A transformação impressionou o próprio Sakolsky.
Para ele, porém, a história vai muito além da mudança na paisagem. O que mais o marcou foi acompanhar a transformação da própria vida de Yin.
A mulher que antes vivia praticamente isolada entre as dunas agora recebeu o americano em uma ampla propriedade cercada pela vegetação produzida ao longo de décadas de trabalho. O ambiente também passou a produzir frutas, vegetais e flores.
Yin construiu uma família e, ao longo dos anos, seus filhos e netos também passaram a participar das atividades de conservação ambiental.
“Yin me ensinou uma lição: nada é impossível”, afirmou Sakolsky ao Global Times.
Segundo o professor, a trajetória dela mostra que um objetivo aparentemente inalcançável pode ser atingido quando existe persistência.
“Se você acredita que é possível e trabalha em direção ao objetivo sem parar, quando encontra um obstáculo, segue em frente e encontra uma maneira de contorná-lo.”
Para Sakolsky, o reflorestamento de Mu Us não pode ser explicado apenas pela iniciativa de uma única pessoa.
Ele destacou que Yin ensinou seus filhos a continuar o trabalho e que a atividade passou de uma geração para outra. A história, segundo ele, representa também o esforço de outras famílias chinesas envolvidas durante décadas em projetos de conservação ambiental.
Veja a imagem da recuperação do deserto de Mu Us:
O professor também chamou atenção para a combinação entre o esforço individual e os investimentos públicos em políticas de recuperação ecológica.
Na sua avaliação, a experiência de Ordos pode servir como exemplo para outros lugares que enfrentam problemas de desertificação.
“Isso não é apenas uma experiência da China; é uma lição global sobre como resolver problemas que parecem insolúveis”, disse.
A transformação do Mu Us é particularmente significativa porque a região esteve durante décadas entre as áreas afetadas pela desertificação no norte da China. O trabalho de recuperação ambiental modificou não apenas a cobertura vegetal, mas também as condições de vida das comunidades locais.
A viagem de Sakolsky também teve outro objetivo: aproximar pessoas de diferentes países.
Durante sua passagem pela Mongólia Interior, o americano conversou com Yin, conheceu o neto dela, encontrou estudantes de uma escola secundária ligada à Universidade Normal da Mongólia Interior e interagiu com jovens durante uma visita ao Museu da Mongólia Interior.
Para ele, crianças de diferentes nacionalidades têm muito mais em comum do que as fronteiras nacionais fazem parecer.
“Elas gostam de rir, gostam de ver os adultos sorrindo e gostam de acenar”, afirmou.
O professor acredita que preconceitos e discriminações são aprendidos ao longo da vida, e não características com as quais as pessoas nascem.
Por isso, defende que jovens chineses e americanos tenham mais oportunidades de viajar e conhecer diretamente a população do outro país.
“Você precisa ter coragem para conhecer o mundo e tentar não enxergá-lo através das fronteiras nacionais”, afirmou.
Ao concluir sua viagem, Sakolsky deixou uma mensagem especialmente direcionada aos jovens dos Estados Unidos:
“Venham para a China, é lindo.”
E também fez um convite aos jovens chineses:
“Atravessem o Pacífico, conheçam o povo americano. As pessoas comuns são boas pessoas e querem a paz.”
Quando Sakolsky encontrou Yin pela primeira vez, ele viu apenas algumas mudas finas plantadas em meio à areia. A impressão inicial era de que aquela batalha seria impossível de vencer.
Mais de duas décadas depois, o cenário havia mudado completamente.
As pequenas árvores deram lugar a uma floresta, e a ajuda de US$ 5 mil feita por um estrangeiro se transformou em parte de uma história muito maior de recuperação ambiental.
Para Sakolsky, a principal lição não está apenas nas milhares de árvores que cresceram desde então. Está na capacidade humana de persistir diante de um problema que parece não ter solução.
“Ela é a prova. Ordos é a prova. Esta terra é a prova”, afirmou.
A história de Yin Yuzhen, portanto, ganhou uma dimensão que ultrapassa a relação entre duas pessoas que falavam idiomas diferentes. Segundo Sakolsky, quando se reencontraram 26 anos depois, continuavam sem conseguir conversar por meio das mesmas palavras.
Mas, nas palavras do professor americano, os dois compartilhavam uma linguagem que não precisava de tradução: a linguagem do coração.
Com informações do Global Times.
Últimas Notícias
O CBM Brasília é um site de notícias comprometido em trazer informações relevantes e atuais para nossos leitores.
Nossa equipe de jornalistas e colunistas está sempre a procura das notícias mais importantes para que você possa estar sempre informado sobre o que está acontecendo no mundo.
Aqui, Brasília, iformação e o mundo está sempre em foco!