Milhares de lagos no Himalaia agora são ameaça mortal

Milhares de lagos no Himalaia agora são ameaça mortal

  • 26 de agosto de 2026
  • Mundo
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Ameaça mortal: dilúvios repentinos mesmo com o tempo firme.

O aquecimento global e o derretimento das geleiras criou milhares de lagos instáveis no Himalaia, o que leva cientistas a dizerem que a tragédia das últimas horas no Tibet e no Nepal reflete ameaça futura a moradores dos vales da região.

No Monte Everest, o derretimento de gelo fez o acampamento da base “cair” 70 metros desde os anos 80 do século passado.

Numa reportagem especial publicada em novembro do ano passado, o New York Times fez um alerta a turistas:

Em toda a cordilheira do Himalaia, que está aquecendo rapidamente, o derretimento das geleiras está criando milhares de lagos em grandes altitudes — e, consequentemente, milhares de novas oportunidades para que avalanches e terremotos causem destruição. Quando rochas ou neve caem sobre uma geleira congelada, nada de muito grave acontece. Mas, à medida que o gelo derrete e forma um lago, esses mesmos objetos que caem podem desencadear uma inundação que ameaça vilarejos, pousadas turísticas, usinas hidrelétricas e tudo o mais em seu caminho.

Foi justamente o que aconteceu hoje. Um bloco de gelo de 600 metros teria se deslocado, represando um rio até que o gelo, a neve, a água, a lama e as pedras desceram montanhas abaixo, levando tudo de arrasto.

No ano passado, fenômeno parecido, de menor escala, devastou o vilarejo de Thame, no Nepal.

Montanhas instáveis

A morte de uma geleira é lamentada por geólogos como a morte de uma espécie animal.

O risco que causa aos humanos pode ser devastador, como explicaram os autores da reportagem:

O problema é a água do degelo. À medida que uma geleira encolhe, ela libera água que se acumula na tigela de terra onde antes ficava o gelo, formando um lago. Mas a terra e as pedras ao redor desta tigela estão soltas e quebradiças. E então talvez um dia haja um deslizamento de terra. Talvez um pedaço do gelo restante da geleira se quebre e caia na água.

De acordo com pesquisadores, em 2020 havia 19.300 lagos no Himalaia, um aumento de 10% em relação a 1990.

Mais de 50 milhões de pessoas vivem na região, que inclui território da China e da Índia.

O pesquisador Scott Watson percorreu há alguns meses a maior geleira do Nepal, chamada Ngozumpa. Com o uso de um robô, ele mediu a profundidade de alguns lagos.

O valor mais alto que encontrou foi de 67 metros!

Diferentemente do que imaginam as pessoas, as geleiras não são tão sólidas, especialmente durante o verão:

O gelo ainda está lá, sob os detritos que se desprendem das montanhas. Mas, à medida que derrete, mais e mais da superfície da geleira se torna líquida: poças que antes podiam ser atravessadas a pé, depois lagoas, e então lagos. Agora, os lagos estão se unindo, transformando a paisagem em um labirinto de cursos d’água em forma de fita.

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Redação CBM Brasília
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