VÍDEO: Governo dos EUA diz que domínio das Américas “nunca mais será questionado”

VÍDEO: Governo dos EUA diz que domínio das Américas “nunca mais será questionado”

  • 11 de agosto de 2026
  • Mundo
Compartilhe essa notícia:

O Departamento de Estado dos Estados Unidos, adotando o tom megalomaníaco do seu presidente, Donald Trump, publicou, nesta terça-feira (11), um vídeo de mais de cinco minutos no X reafirmando a Doutrina Monroe e declarando que o “domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”.

A publicação cita a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, como o exemplo mais recente da política, apresentando a operação como um “forte sinal a todo o hemisfério”. O anúncio ocorre em meio a uma série de ameaças, conflitos diplomáticos e comerciais envolvendo Washington, Brasília, Pequim e capitais europeias.

O vídeo traz uma afirmação direta: “A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”. A frase aparece na legenda da publicação e é reforçada ao longo do material audiovisual.

O caso de Maduro ocupa papel central na narrativa. O Departamento de Estado cita a chamada Operação Resolução Absoluta, que resultou na captura do então presidente venezuelano em 3 de janeiro, como a aplicação mais recente da doutrina.

Maduro está preso em uma penitenciária de Nova York, respondendo a acusações de narcoterrorismo. Segundo o vídeo, a operação serviu como um sinal aos demais países do hemisfério sobre a disposição dos EUA de agir unilateralmente para garantir sua predominância regional.

Doutrina Monroe e sua aplicação

Criada em 1823 pelo presidente James Monroe, a doutrina estabeleceu que qualquer tentativa de recolonização europeia nas Américas seria tratada como ameaça direta aos Estados Unidos.

O que nasceu como um alerta às potências do Velho Mundo foi se transformando, ao longo de quase dois séculos, em justificativa recorrente para ações diplomáticas, militares e econômicas dos EUA no continente.

O vídeo do Departamento de Estado apresenta a doutrina como a “pedra angular” da estratégia estadunidense no hemisfério e elenca episódios que, segundo Washington, ilustram sua aplicação: o apoio à independência panamenha em 1903, que garantiu aos EUA o direito de construir e operar o Canal do Panamá, e a crise dos mísseis de Cuba em 1962, quando o presidente John F. Kennedy a invocou diante da presença soviética na ilha.

O que o vídeo não menciona é igualmente revelador. A narrativa oficial omite as intervenções dos EUA que, ao longo do século 20, contribuíram para instalar ou sustentar regimes ditatoriais em diversos países da América Latina, episódios amplamente documentados pela historiografia. A seletividade da memória institucional serve a um propósito claro: legitimar a doutrina sem confrontar suas consequências mais violentas para a região.

Assista ao vídeo

https://x.com/StateDept/status/2087172343969771810

Contexto de tensões diplomáticas

O vídeo foi publicado um dia após a China solicitar participação nas consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, movimento que amplia o alcance da disputa comercial e insere Pequim diretamente no conflito entre Washington e Brasília.

As tensões bilaterais com o Brasil não se limitam ao campo comercial. Os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, após o governo Lula não aprovar a indicação do deputado estadual da Flórida Daniel “Danny” Perez para o posto de embaixador americano no país.

O episódio é mais um capítulo do atrito crescente entre as duas administrações. Além do Brasil, Washington mantém conflitos abertos com Canadá e países europeus, incluindo a disputa territorial pela Groenlândia.

O vídeo não surge no vácuo. Em dezembro de 2025, o governo Trump divulgou sua nova Estratégia de Política Externa, documento que já anunciava a intenção de “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental” e conter o avanço chinês na região.

Compartilhe essa notícia:
Redação CBM Brasília
Redação CBM Brasília
Colunista
O CBM Brasília é um site de notícias comprometido em trazer informações relevantes e atuais para nossos leitores.

Nossa equipe de jornalistas e colunistas está sempre a procura das notícias mais importantes para que você possa estar sempre informado sobre o que está acontecendo no mundo.

Aqui, Brasília, iformação e o mundo está sempre em foco!