Trump chama socialista para briga: “: Cheio de me4da”

Trump chama socialista para briga: “: Cheio de me4da”

  • 8 de agosto de 2026
  • Mundo
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No ar, mais uma vez, a campanha do medo.

O presidente Donald Trump turbinou sua ofensiva contra o “comunismo” depois da vitória do epidemiologista Abdulrahman Mohamed El-Sayed nas primárias que escolheram o candidato democrata ao Senado em Michigan.

Abdul bateu a adversária Haley Stevens por margem de menos de 6 mil votos. Ela recebeu financiamento externo na casa dos U$ 70 milhões, boa parte do AIPAC, o mais poderoso lobby de Israel nos Estados Unidos.

Abdul concorreu enfatizando que nunca recebeu dinheiro de qualquer Comitê de Ação Política (PAC). Os PACs são dutos através dos quais as grandes corporações financiam seus candidatos.

Ele promete estender o alcance do programa nacional de saúde, o Medicare, a todas as pessoas. Hoje, o sistema serve a quem tem 65 anos de idade ou mais.

Trump celebrou a vitória de Abdul. No dia seguinte, provocou o jovem democrata socialista, de 41 anos de idade, referindo-se a ele como “cheio de me4da”.

“Presidente Abdul”

O vice-presidente JD Vance entrou imediatamente na onda, dizendo: “Deus nos livre de um presidente Abdul em três anos”.

O objetivo, como sempre, é de causar medo nos eleitores, apelando para a xenofobia, a islamofobia e o anticomunismo.

A revista conservadora britânica Economist declarou os republicanos como “verdadeiros vencedores” em Michigan, alegando que as chances de os democratas ganharem a vaga no Senado diminuíram.

Abdul vai enfrentar o ex-deputado Mike Rogers. O democrata acusa Rogers de ter enriquecido em sua passagem pelo Congresso graças às conexões com a Big Pharma, que é o complexo industrial das empresas farmacêuticas.

A batalha pelo controle do Senado passa por Michigan. O estado do Meio Oeste é visto como fiel da balança nas eleições de 3 de novembro.

Trump e aliados contam com Abdul para tocar terror nos eleitores da zona rural.

“Elite branca”

JD Vance acusou Abdul de não representar os trabalhadores, mas sim a elite branca do Partido Democrata.

O médico chefiou o setor de saúde de um condado de Michigan antes de se candidatar.

A hierarquia do Partido Democrata teria ficado nervosa com a vitória, segundo reportagens do Washington Post e da BBC.

Os integrantes do DSA, Democratic Socialists of America, formam a ala esquerda do partido.

O resultado em Michigan chacoalhou a política estadunidense porque Abdul, sem a fortuna da adversária, apelou diretamente aos eleitores com vídeos que misturam humor com denúncia política.

O mote, repetido diariamente, foi: devemos gastar o dinheiro investido em guerras — que matam crianças em Gaza ou no Irã — nas escolas e hospitais de Michigan.

Abdul segue os passos do prefeito de Nova York, Zohran Kwame Mamdani. Os nomes completos dos dois foram reproduzidos assim neste texto porque é como os republicanos pretendem retratá-los: alheios à cultura local.

O editor de entretenimento Manjusha Radhakrishnan descreveu a estratégia digital de ambos assim:

Nem Mamdani nem El-Sayed parecem ter receio de parecer um pouco desajeitados, brincalhões ou autodepreciativos, se isso ajudar a engajar as pessoas. Numa era em que muitos políticos ainda falam em frases de efeito cuidadosamente elaboradas, eles se sentem à vontade para falar por meio de memes, áudios virais e humor da internet.

Os dois tem forte relação com influenciadores digitais e priorizaram entrevistas a podcasts e meios não tradicionais em suas campanhas.

Diferentemente do que dizem os republicanos, Mamdani e Abdul tem profunda relação com a cultura dos jovens estadunidenses. Eles parecem e soam como políticos diferentes e abraçaram as causas que o MAGA demonizou.

Daí advem o medo de Trump e aliados: Abdul faz parte de um grupo de jovens candidatos que tem potencial para capturar a revolta contra o sistema que levou Donald Trump de volta à Casa Branca em 2022.

O voto do ressentimento poderia, agora, se voltar contra Trump.

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Redação CBM Brasília
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