Senado dos EUA aprova Daniel Perez para embaixador no Brasil e pressão sobre o Itamaraty aumenta

Senado dos EUA aprova Daniel Perez para embaixador no Brasil e pressão sobre o Itamaraty aumenta

  • 7 de agosto de 2026
  • Mundo

O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira (7), a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador americano no Brasil. A nomeação recebeu 51 votos favoráveis e 47 contrários e encerra a tramitação interna nos EUA. Para assumir a embaixada em Brasília, no entanto, Perez ainda depende da autorização formal do governo brasileiro, o chamado agrément.

A aprovação ocorre no momento de maior tensão entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos. A relação bilateral foi marcada, nas últimas semanas, por troca de acusações, negativa de vistos, retaliações diplomáticas e denúncias de tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.

Senado aprova Daniel Perez

A votação estava inicialmente prevista para quinta-feira (6), mas acabou adiada por um impasse interno no Senado americano sobre a ordem das votações antes do recesso parlamentar de cinco semanas.

Quando finalmente foi apreciada, a indicação de Daniel Perez não foi votada isoladamente. Ela integrou um pacote com outras 74 nomeações do governo Donald Trump para cargos no Departamento de Estado e em 17 embaixadas ao redor do mundo, entre elas as do Brasil, Noruega, Austrália e Jamaica.

A votação em bloco provocou críticas da oposição democrata. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, afirmou que os republicanos estavam “empurrando goela abaixo” um pacote de indicações composto por “charlatões e soldados de infantaria do MAGA” para altos cargos da administração americana.

Segundo Schumer, a estratégia evitou que alguns indicados fossem submetidos a uma análise individual mais rigorosa.

O líder da maioria republicana, John Thune, rebateu as críticas e afirmou que o Senado deverá aprovar cerca de 95% dos indicados civis elegíveis, o maior índice de confirmações em aproximadamente 25 anos.

Filho de imigrantes cubanos e deputado estadual da Flórida, Daniel Perez foi sabatinado em 16 de julho e recebeu o aval da Comissão de Relações Exteriores do Senado em 22 de julho. O posto de embaixador dos Estados Unidos no Brasil está vago desde janeiro de 2025, quando Donald Trump retornou à Casa Branca.

O impasse com o Brasil

A indicação de Perez, porém, está longe de encerrar a crise diplomática entre Brasília e Washington.

Quando anunciou o nome de Perez, em junho, a Casa Branca rompeu o protocolo tradicional ao divulgar publicamente a indicação antes da conclusão das consultas diplomáticas reservadas com o país anfitrião. O gesto foi interpretado pelo Itamaraty como um sinal da condução que a relação bilateral passaria a ter.

Desde então, Washington passou a pressionar o governo brasileiro para conceder rapidamente o agrément, autorização indispensável para que um embaixador estrangeiro possa assumir o cargo.

O Palácio do Planalto respondeu que o pedido segue em análise dentro dos trâmites diplomáticos habituais.

A tensão escalou de forma inédita no último dia 4 de agosto, quando o Departamento de Estado revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O governo Trump apresentou a medida como uma resposta direta à demora brasileira em autorizar Daniel Perez.

A decisão americana ocorreu apenas dez dias depois de o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado. Segundo reportagem do The Washington Post, eles participariam de uma estratégia voltada a questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro — acusação negada por Washington.

O governo Lula classificou a revogação do visto de Viotti como parte de uma escalada de medidas hostis dos Estados Unidos e rejeitou a justificativa apresentada pelo Departamento de Estado. Para o Planalto, a Casa Branca transformou a nomeação de Daniel Perez em instrumento de pressão política sobre o governo brasileiro.

O presidente Lula já sinalizou que o governo brasileiro só pretende conceder o agrément a Daniel Perez após as eleições de outubro. Com isso, mesmo aprovado pelo Senado americano, o indicado de Donald Trump deverá continuar impedido de assumir oficialmente a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília até que o processo eleitoral brasileiro seja concluído.

 

Redação CBM Brasília
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