A Índia quer se tornar uma potência desenvolvida até 2047, segundo a estratégia de políticas nacionais Viksit Bharat 2047 (“Índia Desenvolvida 2047”), que reúne metas políticas, econômicas, industriais, sociais, tecnológicas e ambientais.
A iniciativa é coordenada pelo NITI Aayog, principal centro de formulação de políticas públicas do governo indiano, e ganhou força após o país superar o Reino Unido e se tornar a quarta maior economia do mundo, além de ser o mais populoso, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes.
O governo trabalha, agora, com a perspectiva de elevar o PIB indiano para algo entre US$ 30 trilhões e US$ 40 trilhões até 2047, um salto expressivo em relação ao tamanho atual da economia.
De acordo com o documento-base do plano, elaborado pelo NITI Aayog, caso essa meta seja alcançada, a renda per capita deverá crescer dos atuais níveis de país de renda média para algo entre US$ 15 mil e US$ 18 mil por habitante, o que colocaria a Índia no grupo das economias desenvolvidas.
Estimativas do Banco Mundial sugerem que, para alcançar esse objetivo, o país deve registrar uma expansão média de 7,8% ao ano durante aproximadamente 22 anos, ritmo de crescimento considerado elevado. Em média, a economia indiana cresceu 6,3% entre 2000 e 2024.
Um dos pilares da estratégia é transformar a Índia em uma potência manufatureira global, com a ampliação da participação da indústria de transformação no PIB, fortalecendo programas como o Make in India, os incentivos à produção doméstica (PLI – Production Linked Incentive), a atração de investimentos estrangeiros e a integração do país às cadeias globais de suprimentos.
Parte dessa estratégia consiste em qualificar a mão de obra para absorver uma população jovem em crescimento.
Outro eixo central envolve investimentos maciços em infraestrutura, com a expansão de rodovias, ferrovias de alta capacidade, aeroportos, portos, logística multimodal, energia elétrica, cidades inteligentes e conectividade digital.
O governo indiano também aposta fortemente nas Parcerias Público-Privadas (PPPs) para financiar parte desses investimentos, reduzindo a pressão sobre as contas públicas e acelerando a execução dos projetos.
Um dos diferenciais da estratégia indiana é a utilização da chamada Infraestrutura Pública Digital (Digital Public Infrastructure – DPI).
O país já opera uma das maiores arquiteturas digitais do mundo, formada por sistemas como o Aadhaar (identidade digital), o UPI (pagamentos instantâneos), plataformas digitais para serviços públicos e sistemas integrados de autenticação eletrônica.
Em 2026, o NITI Aayog publicou um roteiro específico, o DPI@2047, para ampliar o uso dessas plataformas como instrumento de crescimento socioeconômico.
O desenvolvimento do capital humano aparece como uma das principais condições para atingir o status de país desenvolvido e envolve metas como a universalização da alfabetização, a melhoria da qualidade do ensino básico e superior, o fortalecimento da pesquisa científica e a qualificação da mão de obra no setor de tecnologia.
Por trás disso está a redução da pobreza e o fortalecimento de programas de proteção social, do acesso à saúde e da participação democrática de grupos minoritários.
Esses objetivos estão organizados em torno de quatro grupos considerados prioritários pelo governo: a juventude (yuva), a população mais pobre (garib), as mulheres (mahilayen) e os agricultores (annadata).
Outra pauta da agenda é a transição energética, com o compromisso assumido pelo governo indiano de alcançar emissões líquidas zero até 2070.
A estratégia prevê a expansão da geração de energia solar e eólica, do hidrogênio verde, da eletrificação dos transportes, do aumento da eficiência energética e do fortalecimento da indústria de tecnologias limpas; os investimentos podem ultrapassar US$ 22 trilhões.
O Banco Mundial afirma que será necessário aumentar os investimentos para cerca de 40% do PIB, elevar significativamente a participação da força de trabalho, acelerar os ganhos de produtividade, aprofundar a integração da Índia às cadeias globais de valor e reduzir as desigualdades entre os diferentes estados do país.
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